23.2.07

ela e os concertos de brandenburgo

os concertos de brandenburgo são o que Deus ouve no ipod, aos domingos e feriados, depois de comer um prataço de lasanha. Wagner, Tchaikovsky, Mahler, Brahms, Villa-Lobos... são todos fantásticos. mas os concertos de brandenburgo, de Bach, são inigualáveis. em casa, temos uma vitrola. não muito antiga, mas velha o suficiente pra provar que os nefastos anos oitenta existiram (acho que ela é da década de oitenta). e, por causa dela, gozamos do privilégio de ouvir bolachões. todo o ritual, por mais breve que seja, de puxar o long play daquele envelope de papelão, retirá-lo da camisinha de plástico, dar uma sopradinha pra tirar a poeira, limpar a agulha e ouvir o chiado mágico que precede a música - enfim, todo esse ritual é o passaporte à outra dimensão. sobretudo se o que estamos prestes a ouvir são os concertos de brandenburgo.
Bach. este é o nome do homem. sem dúvida que Deus, Odin, Zeus, Adonai, Allah, Krishna ou seja qual for o nome do maestro universal é fã n° 1 de Bach, já montou fã-clube, torcida organizada e tudo o mais que esses fãs à la RBD fazem. mas, por mais que Bach tenha dedicado sua vida a criar música exclusivamente para seu deus protestante, eu apostaria que isso foi só uma desculpa pra não chamá-lo de louco. na verdade, foi para outra pessoa que ele compunha sua obra, e, em especial, os já citados concertos.
ontem, depois de um daqueles dias de trabalho marromenos e um trânsito infernal, chego em casa - e é como se eu estivesse às portas do paraíso, sob um benéfico sol radiante, nuvens alvíssimas e ouvindo coros angelicais soprando cornetas de ouro e dedilhando harpas cristalinas. (essa é a sensação de chegar em casa.) então, a minha filha Dora, depois de uma volumosa mamada, vem pros meus braços e olha pra mim daquele jeito, como se dissesse: "Bach, pai, Bach..." (ela já "fala" algumas vogais e eu faço questão de acreditar que ela "falou" isso pra mim).
deitada no sofá, esperando o papai colocar o bolachão, ela está apreensiva. e quando o chiado da agulha no long play sai pelas caixas de som e ela, no meu colo, emudece, olhando fixamente pra radiola, junto comigo se contagia pela música, aí eu soube. Bach compunha os concertos de brandenburgo pra Dora Guerra, minha filha.

8 recados:

Honey disse...

rsrss ai, montz!
depois de chegar ao paraíso e a filhota "pedir" bach,
a vida não fica muito melhor q isso...

Clarice disse...

Concordo com a honey aí de cima. =)


Amei o texto, vida!

Beijos, beijos!

Dead Oz disse...

hahahhahahha
boa!

eu tô sem vitrola pra poder ouvir os concertos de Black Sabbath, Led Zeppelin e Iron Maiden dos meus bolachões! =/
não tem coisa mais mágica q Lps, cara! :P

(ah, sim. claro! eu tb gosto de bach! ...e stracinsky, ...e beethoven! hehe)

já no meu caso, eu descobri que os compositores de jingles e musicas incidentais fizeram as aberturas de novela e jornais para o samuca maluquinho! :P
hahahahhaha

abraço!
;)

Mila disse...

E assim educa-se os ouvidos de uma criança fofa. Sem querer.

Mah disse...

Será que a Dora ligaria de dividir alguma música comigo? ;)

Música clássica consegue ser mais lindo que chocolate pra mim. :)

beijo na testinha da dourada. e pra vc papai do ano

Márcio Pimenta disse...

Caramba, você sumiu! :)

Que bom que retornou. Gostei do seu blog (beo texto), se quiser podemos adicionar nossos blogs.

Abraços.

Easy Eight disse...

Brandenburgo é massa, o finalzinho é clássico de comercial da sabonete. parara pam paaaaam!

Sobre a sua pequena, gostaria da aproveitar e deixar claro a minha inveja. Exibido do caralho! hahahahah

Carlos disse...

A turma do jazz poderia desenvolver o tema em modo frígio do segundo movimento do concerto número três. E a turma do samba poderia botar na roda o "rondó", que é um samba-de-roda do 4o movimento do concerto número 1. Conderto barroco com 2 movimentos ( o número 3 ) e com 4 movimentos ( o número 1 ) , só o Mestre mesmo, para ter essas idéias sacanas.